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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

POPCORN AND KIM NOVAK - PIPOCA E KIM NOVAK

Nos anos 60 surgiu uma novidade nos meios de comunicação, a mensagem subliminar. Quer dizer, um estímulo era enviado num filme, pela TV ou enquanto você ouvia uma música inocentemente. Imediatamente nos ocorre que tivemos 50 anos de mensagens, levando multidões ao consumo, ou pior, elegendo alguém com quem não simpatizávamos, num momento de black-out dentro da cabina. Isto está longe da ficção! E o apresentador, Sr Carbajal, mostrava o filme que serviu de experiência, o delicioso Pic-Nic (Férias de Amor), com a minha favorita Kim Novak.

In the 60’s there was something new in communications, the subliminal message. A stimulus was sent through a movie, via TV as you listened innocently to your favorite tune. Immediately I’m haunted with the idea we’ve been bombarded by 50 years of messages, maybe electing someone we didn’t want, in a blackout moment inside the booth. This is far from fiction! And the host, Mr Carbajal, showed us the picture that served as an experience, Picnic starring my all-time favorite, Kim Novak.


Durante a projeção, a palavra “popcorn” (pipoca) foi colocada sobre a imagem da Mrs. Novak em flashes de trinta e seis avos de segundo. Resultado: durante o intervalo, quase toda a lotação do cinema correu para a máquina de pipoca, comprando todo o estoque. Outra experiência ocorreu no próprio programa da TV Tupi, uma palavra foi transmitida num volume baixo demais para ser reconhecida. E pediram que o público enviasse uma palavra que ocorresse em sua mente ou surgisse em sonhos. Também o resultado surpreendeu, com quase 70 por cento de acertos ou quase.

During the show, the Word “popcorn” was inserted over the image of Mrs. Novak, in flashes no longer than 36 parts of a second. Result: in the interval, almost all viewers rushed to the popcorn vendor machine, emptying it.  Another experience was done during the program (TV Tupi, extinct): a word was repeated inaudibly and the audience was encouraged to mail the station whatever went into the minds or even dreams. Also the result was impressive; almost 70 percent of right answers.


Felizmente eu não associei minha doce Kim à salgada pipoca, pois a experiência só aconteceu nos Estados Unidos, num único cinema. Ou pelo menos foi o que eles garantiram. É crime produzir estímulos subliminares. Será? A tentação é grande demais para ser contida! E não existe nenhum órgão aparelhado para detectar tal fraude. E agora eu me pergunto: será que algumas entidades teriam usado um sistema semelhante para influenciar os nossos atos? A técnica invisível é infinitamente superior à nossa.

I was lucky enough not to associate sweet Kim to the salty popcorn, because this experience only occurred in USA, in a single movie house. They told us so. It’s a crime to use subliminal messages of any kind. Is it? Temptation is too strong to be held! And there is not an organ apt to detect such fraud. So now I ask myself: have some spiritual entities ever used a similar system to influence our acts? The invisible tech is far superior than ours.


É claro que eu estou me referindo aos espíritos menos evoluídos, pois nossos mentores não interferem nas nossas decisões, certas ou erradas. Eles podem, e graças a Deus freqüentemente fazem, avisam dos perigos e respondem às nossas perguntas, se acionados. Mas a decisão cabe a nós. É através dos erros que nos vamos corrigindo e evoluindo lentamente. Cada nova noção deve ser digerida conforme a nossa capacidade de absorção. As chamadas “encarnações pesadas” podem ser consideradas como cursos intensivos. Nada de castigo dos céus, mas uma opção corajosa de aprendizado.

Of course, I mean the less enlightened entities, because our mentors will never interfere our decisions, right or wrong. They can, and thanks Heavens they do frequently, warn us of the dangers and also answer to our questions, when asked. But decision is our business and through errors we slowly advance. Each new notion must be digested according to our capacity of absorption. The so-called “heavy incarnations” can be considered as intensive courses. Nothing like punishment from the Above, Just a bold option of learning method.


A influência nefasta de entidades ligadas ao “pesado fardo da matéria” pode ser comparada com a tal experiência da pipoca. Nem todos correram para a máquina, só os que já estavam abertos ao prazer de comer pipocas em cinema. Outros não gostavam tanto do produto e muitos pensaram “OK, eu gosto de pipoca, mas não vou comprar agora”. Existe uma centelha divina em cada um de nós, que nos defendem dos estímulos do mundo. O sexo certamente é o mais poderoso, pois está profundamente ligado ao instinto humano. Se o troglodita não tinha impedimento algum para um assédio, um ser civilizado dentro de nós contém o homem das cavernas adormecido. Quer dizer, quase sempre. E quando entramos em sintonia com o astral inferior, lá vem a mensagem subliminar: “pipoca, pipoca”.



The evil influence of entities still strongly linked to matter can be compared to that experience of the popcorn. Not all ran to the machine, just those already accustomed with the pleasure of eating popcorn while watching the movies. Other customers didn’t enjoy the product so much and thought “OK, I even like popcorn, but not now”. There is a divine flame in each and all of us, to defend us from the perils of the world. Sex is definitely the most dangerous, because it is profoundly linked to human instinct. If the troglodyte had no limits to an assault, a civilized being inside of us holds back the sleeping caveman. Or almost. When we tune in the inferior astral, there comes the subliminal message: “popcorn, popcorn”.

Orai e vigiai, diz o secular conselho. Olho aberto, diz a expressão contemporânea!

So be aware. Keep an open eye!


Visite este belo site:

http://pensesp.blogspot.com/

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sábado, 13 de agosto de 2011

MINHAS BÊNÇÃOS – BRAGUINHA

Braguinha, ou João de Barro, foi uma dádiva para o povo brasileiro. Todos nós já sabíamos disto entre 1907 e 2006, espaço de tempo em que ele permaneceu entre nós. Compositor extremamente inspirado, seu talento só era suplantado pela humildade. Eu tive a sorte de cruzar com ele duas vezes mais de perto, uma delas para sondar se ele faria uma trilha sonora para um desenho animado meu (nunca foi produzido) e outra vez cruzando a praça do Lido. Voltarei ao assunto com mais detalhes adiante...

Braguinha entendeu a alma infantil como ninguém, permanecendo quase um século com uma alma de criança e um definido sorriso ingênuo. Não foi coincidência Walt Disney tê-lo escolhido para dublar seus filmes. Quando esteve no Brasil, Disney ficou admirado com a precariedade do estúdio de som, de onde saiu (segundo ele) “um resultado melhor do que o original”.



Campeão do Carnaval, popularizou um número enorme de melodias como Pirata da Perna de Pau, Chiquita Bacana e Com Jeito Vai, entre tantas outras:


Suas músicas do “meio do ano” também chegavam rapidamente à fama, como o Carinhoso, atravessando fronteiras e chegando a Hollywood:


Mas foi por causa do seu trabalho junto às crianças que me levou a procurá-lo. Braguinha lançou uma série de contos em formato colorido e popular:


Eu estava levantando produção para Aquarius o Escorpiãozinho e precisava de saber quanto custaria a trilha sonora. Ouvi textualmente isto da boca do Braguinha: “Meu filho, eu não sei compor!” Bem, se ele não sabe, então a música não existe. Anos depois, estava passeando com o netinho Dudu pelo Lido, quando encontramos o Braguinha. O Dudu era louco pelas músicas dos disquinhos, e eu pedi um momento de atenção do compositor. Dudu cantou com ele trechos de alguns sucessos, e eu disse: “Viu, Braguinha? Você é eterno.” A isto ele apenas respondeu com um sorriso de quem já sabia, e se foi.

A sua obra foi homenageada em 1984 pela Mangueira, desfile campeão:


Além disto, Braguinha também nos legou as mais belas músicas das festas de São João (para os estrangeiros que nos acessam, acontecem em junho):


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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

MINHAS BÊNÇÃOS - MICHIO KAKU

Se o velho chavão “os menores frascos guardam os melhores perfumes” está correto, eis aqui a confirmação. Com este nome de herói japonês saído de algum mangá, o americano Michio acabou teorizando o que eu já tinha conhecimento empírico, pela lógica pura e pelas experiências paranormais que tive a sorte de presenciar nesta vida. Gastei muita energia tentando convencer as pessoas da existência de um plano paralelo ao nosso. Foi tudo inútil, ainda que as provas estivessem ali, sólidas, debaixo dos seus narizes.

A minha vida, neste aspecto, sempre foi de terrível solidão. Primeiro, porque certos eventos são pessoais e intransferíveis. Em segundo lugar, porque o medo de mudar faz com que todos busquem adaptar os fenômenos às suas próprias convicções. Paciência. Cada um aprende dentro da velocidade possível.

Até o professor Michio tem a obrigação científica de provar tudo, se não dentro de um laboratório, pelo menos no quadro-negro. Infelizmente, para quem não fala inglês, quase tudo está no YouTube neste idioma. Vamos começar com a Teoria das Cordas, base da hipótese (desculpe, eu quase disse prova) dos mundos paralelos e multiplicidade de universos. Temos aqui o som de uma entrevista muito interessante para quem entender::







Aqui ele fala da multiplicidade de universos e as bolhas cósmicas:


Os dados sobre Michio estão aqui na sempre presente Wikipédia:


Falando sobre o seu livro A Física do Impossível, ele fala sobre viagens no tempo:


O Dr. Michio Kaku, como o sol que tanto estudou, ilumina a Terra.

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

MINHAS BÊNÇÃOS – O COMPUTADOR PESSOAL

Quando se fala em computador, a primeira imagem que nos ocorre é o HAL, do clássico 2001 Uma Odisséia no Espaço (se você quer saber de onde surgiu este nome, é só avançar uma letra em HAL). HAL decide assumir o comando da nave e é desligado. Afinal, é o homem quem manda:


O sonho de expandir os poderes do ser humano já esteve num seriado popular da Republic, Rocket Man (por aqui, Capitão Cody).


Ou muito antes, inspirando romancistas como Jules Verne.


Mas nem sonhávamos em ter um computador em casa! O meu primeiro contato com esta máquina maravilhosa aconteceu com o ATARI 800, um passo à frente do famoso joguinho! Mas logo pulei para o ATARI ST, com fantásticos 4 Mega de memória. Já naquele tempo a concorrência se fazia feroz! Daí para o XE foi um pequeno passo para o homem, mas um salto gigante para o Stil:




Os cartuchos BASIC nos permitiam até ousar na programação de pequenos jogos. Eu entendi que a minha vida nunca mais seria igual, bem como a vida em todos os lares da Terra. Especialmente, eu possuía a melhor máquina de escrever do mundo! Poderia tirar quantas cópias quisesse! Isto parece bobagem hoje em dia, mas era um milagre nos anos 70. Então, aqui presto meu tributo a um dos gênios do século XX, Bill Gates e ao Word for Windows:


E ao querido Steve Jobs, um dos criadores da Apple, que sigo no Twitter:


A realidade estava em nossas mãos desde o aparecimento do Photoshop. As mulheres viraram deusas; o controle das cores, contrastes, layers, efeitos, estes mistérios exclusivos dos melhores artistas estavam ao meu alcance! Obrigado, Adobe!


Vamos enumerar outras bênçãos que tão generosamente nos são oferecidas a todo momento:











É claro que acesso muitos outros sites todos os dias, mas estes são básicos.

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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

MINHAS BÊNÇÃOS - DR. MARTIN COOPER

Toda a minha vida eu tive um problema com pessoas que chegavam atrasadas, ou pior, que faltavam sem avisar. Lembro-me de um episódio destes, na esquina da Rua Santa Clara com Avenida Copacabana. Naquela ocasião eu fantasiei que poderia me comunicar mentalmente e saber se ela viria ou não. Acabou-se a minha paciência, eu voltei para casa. Ainda bem, pois ela nunca apareceu. Eu até me lembrei do Dick Tracy e o seu comunicador de pulso. Como os quadrinhos se antecipam à História!


Certamente eu não era o único a desejar um telefone móvel. Não se trata de um walkie-talkie, pois apenas duas pessoas poderiam se comunicar assim. Por exemplo, alguém no telhado ajeitando a antena e outro em frente à TV dizendo: “Está bom! Agora sumiu! Para aí mesmo!” Aliás, a TV a cabo e por satélite também acabou com esta agonia.

Quando muita gente quer uma coisa, as empresas começam a botar o chapéu pensante para funcionar.


Os Laboratórios Bell já haviam lançado a idéia em 1947, mas quem surgiu com o protótipo foi a nossa bênção, Dr. Martin Cooper, da Motorola. Foi ele quem fez a primeira chamada no telefone celular, em abril de 1973. Para quem? Para o seu rival, é claro. Uma idéia luminosa.


Para quem quiser se aprofundar mais no assunto, não ligue para mim, pois junto com o primeiro celular veio a primeira conta. É só acessar esta página e aprender sobre uma das pessoas que mudaram completamente o modo de vida na Terra:


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terça-feira, 26 de julho de 2011

MINHAS BÊNÇÃOS - REDE GLOBO

Quantas pessoas estão incluídas nesta homenagem? Incontáveis! Eu vou citar algumas; cometendo o pecado da omissão, por ser impossível enumerar todas. É necessário fazer um pequeno histórico do meu momento na época do primeiro contrato, em 1972. Eu tinha participado de um grupo voltado para o cinema e especialmente para a animação, que contava com Jô Oliveira, Rui Oliveira, Antônio Moreno, Sydney Solis... Eram algumas dezenas de jovens apaixonados pelo cinema, cujo ponto de encontro era o Bar Cinerama, na saída do Cine Payssandu. Ali nos reuníamos para assistir as sessões da Cinemateca do MAM e resolver todos os problemas do Brasil entre duas cervejas (no meu caso, um copão de leite batido). Acontece que o Grupo Fotograma era ligado ao Var-Palmares e ao seqüestro do avião para Cuba. Sem me aprofundar em detalhes horrorosos que incluem prisão e tortura de alguns membros, terror psicológico, no meu caso tive dois apartamentos revistados e a perda do emprego no DER como arquiteto recém-formado. Como diria a Maysa, meu mundo caiu. Como eu tinha alguns filmes já produzidos, tentei vendê-los para as TVs para serem retalhados como vinhetas. Em meu socorro, veio o então jovem Stepan Nercessian, amigo de produtores do programa Faça Humor, Não Faça a Guerra. A Rede Globo tinha usado vinhetas de filmes mudos, acreditando estarem em domínio público. Mas o diretor estava vivo! Como o Boni não queria gargalhadas de estúdio de jeito nenhum, abriu-se uma oportunidade para mim! Pensei que eles poderiam comprar os filmes, mas ofereceram um contrato! Saí do inferno para o céu em menos de um mês. Esta é a abertura do Faça Humor Não Faça a Guerra, 1972. O meu nome vem com dois L, como costumava acontecer.




Ali tive a oportunidade de trabalhar com gênios (não estou exagerando) como Augusto Cesar Vannucci, Renato Corte Real, Max Nunes, Haroldo Barbosa, Jô Soares... As reticências dizem tudo. São muitos, muitos mais! Mas o principal foi a paz garantida pelo Dr. Roberto Marinho. Se eu estava sob assédio, ninguém mais me ameaçou! O Boni, naquela época, pelo menos, era acessível pelos corredores da Globo. Ele possuía a qualidade de ouvir. É um grande (substantivado mesmo)! E o Walter Clark também era. Meu Deus; era muita inteligência junta! Que time! Pelas mãos do Augusto participamos de uma revolução de linguagem, os Especiais Infantis, abrindo com Vinícius Para Criança onde se destacou a ternura irresistível da Aretha.


A história se repetiu em 1994, quando a Globo renovou o seu modo de valorizar os intervalos, os Plim-plins. Eu dirigi as primeiras 200 vinhetas.


Durante estes anos, tive a chance de trabalhar com a Xuxa e a Marlene Mattos (aqui exemplificado pelo Bobeou Dançou, que criei inspirado no filme Terror das Mulheres, com uma casa cortada ao meio). Eis duas outras personalidades que sabem ouvir. Ambas ganharam minha admiração como profissionais. Devo incluir aqui o fantástico Chico Anysio, Moacyr Franco e Antônio Calmon, bem como o diretor de produção Marcelo Paranhos!


E não posso deixar de citar o anjo da guarda Roberto Talma, que me chamou para bolar e produzir as vinhetas em homenagem ao Festival da Canção, e para o Bambuluá, onde criei o Dumal e o Dubem, personagens 3-D animados por motion capture.


Então, queridos colegas citados ou não aqui, sintam-se abraçados por este saudoso Stil.

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domingo, 24 de julho de 2011

MINHAS BÊNÇÃOS – TIM BERNERS-LEE

O que será que eu estava fazendo no dia oito de junho de 1955? Difícil de dizer. Nesta época eu morava na Villa Maria, em Botafogo, e estudava no Colégio São Bento. Como estava perto do fim do primeiro semestre, provavelmente eu já sonhava com o paraíso das férias. O pesadelo da era Vargas já tinha passado, e se anunciava uma mudança radical de Brasil com a ascensão do Juscelino. A nossa granada brasileira, Carmen Miranda, ainda teria um mês de vida.

Pois nesta data estava nascendo um inglês que mudaria a vida como a conhecemos, Tim Berners-Lee. E quem é este bebê? Um roqueiro da invasão britânica? Eu afirmo que ele é o responsável por você estar lendo este texto neste momento exato. Dê uma olhada no perfil dele na Wikipédia:


Ou, em inglês:

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domingo, 3 de julho de 2011

MINHAS BÊNÇÃOS – TOM JOBIM

Considerado como um dos cinco maiores compositores da segunda metade do século XX, tive a oportunidade de cruzar com este gênio graças à intervenção do amigo Roberto Talma. Ele estava dirigindo o especial Antonio Brasileiro (1987) para a Rede Globo e queria uma animação para finalizar o programa. O tempo para produzir era mínimo, como sempre acontece em televisão. Felizmente eu poderia contar com dois fantásticos artistas, o Humberto Avelar e seu primo Erthal, que moravam do outro lado da ponte Rio - Niterói. Fiz o story-board e tive de animar também, num esforço supremo para chegar aos pés da excelência gráfica dos dois. O resultado foi tão satisfatório que o Talma colocou trechos do trabalho para chamar os comerciais. Durante a montagem dos desenhos, tivemos a visita do Tom às ilhas de edição, e ele respondeu à minha pergunta “Gostou?” assim: “Não tenho palavras”. Vindo do meu ídolo, assumo a imodéstia do relato!


Escolher composições saltadas do Tom é como pegar pipoca no balde. Todas são ótimas igualmente. Passarim, por exemplo, parece contar a história da minha vida:


Saudade do Brasil é uma pequena obra-prima erudita da porção Villa-Lobos do Tom. Como George Gershwin, ele transitava facilmente do popular ao clássico. A belíssima canção Canta, Canta Mais poderia figurar entre as Bachianas.



Águas de Março é a composição favorita dos experts, uma jóia do concretismo, um quadro pintado em palavras. Sabemos que a gravação com Elis Regina não foi fácil, pois a pimentinha e o Tom sentiam que estavam mudando os rumos da música popular.


Há quem confira a Chet Baker a autoria do movimento bossa-nova. Mas isto me soa como aqueles programas sensacionalistas de teste de DNA. Interessa é o resultado, o que vem a público. Rapidamente Jobim foi entendido e amado pelos maiores artistas do mundo, como Frank Sinatra. Vamos ouvir a dupla no clássico Garota de Ipanema:


Ou o topo do topo, Judy Garland, interpretando How Insensitive:


Aqui temos a raríssima Morgana King cantando Corcovado com Andy Williams . Desculpe o Português...


Temos o som de Johnny Mathis cantando Dindi. Mas basta:


Esta seleção poderia se estender indefinidamente! Mas escolhemos Maysa para interpretar uma das mais belas canções de amor, Se Todos Fossem Iguais a Você.


E o Rei interpreta uma das favoritas nos casamentos, Eu Sei Que Vou Te Amar:

www.youtube.com/watch?v=gyTfud6Lvss

Tom Jobim teve dezenas de parceiros, como o eterno Vinícius de Morais. Mas o encontro com Chico Buarque foi uma pororoca! Separamos duas composições da dupla, a campeã Sabiá e os nostálgicos Anos Dourados.



A Nação Zumbi lembra a juventude desta alma carioca, com Wave:


Quando a música popular precisa de intimidade, chama por João Gilberto. Aqui temos o gênio sumido cantando Chega de Saudade:


Jobim, Vinícius, Toquinho e Miúcha juntos? Só pode ser para cantar A Felicidade!


Jobim e Danilo Caymmi encerram esta resenha cantando Samba do Avião, em homenagem à cidade que adoramos, apesar dos pesares:

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quarta-feira, 29 de junho de 2011

MINHAS BÊNÇÃOS - ROD SERLING

Se Monteiro Lobato foi o primeiro escritor que colocou no meu coração o desejo de escrever livros e contos, Rod Serling me inspirou nas artes cênicas. Eles foram e sempre serão faróis para quem sonha em colocar nos personagens falas e ações. Rod, por ser amante da liberdade plena, foi rapidamente rotulado como rebelde e perigoso pelos americanos que roubaram a bandeira dos fundadores do país. Rod facilmente se alinharia entre Jefferson, Emerson e Franklin; teve a infelicidade de nascer séculos depois, no meio de uma nova caça às bruxas.

Este amor pela verdade absoluta o levou ao lado oposto, à ficção desvairada a serviço de uma idéia. É dele a mais talentosa série de TV jamais escrita, Além da Imaginação (Twilight Zone), dos anos 50. Ele exercitou o seu talento em outros programas voltados para o teatro, como Playhouse 90, escrevendo um dos seus mais bem sucedidos roteiros, Réquiem Para um Lutador (Requiem For a Heavyweight):





Entre as obras-primas de Twilight Zone destaca-se uma ferocíssima crítica ao sistema, Uma Parada em Willoughby:




A série gerou até uma das mais populares atrações do parque Hollywood Disney, a Torre do Terror, cujo pré-show apresenta Rod Serling contando a tragédia que atingira um hotel fantasma, e uma família morta numa queda do elevador...


Algumas coletâneas de Além da Imaginação foram lançadas em DVD e são obrigatórias nas prateleiras de espectadores de bom gosto:


Este blog não recomenda específicos sites de venda. Pesquise antes de comprar!

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domingo, 26 de junho de 2011

MINHAS BÊNÇÃOS - ARY BARROSO

Esta série fala de personalidades que atingiram a sublimidade durante a minha vida, portanto desde dezembro de 1942 até hoje. O Brasil sempre foi abençoado por um grande número de compositores. Villa-Lobos foi o topo da música clássica e Ary Barroso na música popular. Certamente outros gênios fizeram a nossa passagem pela Terra mais brilhante, como Tom Jobim e Camargo Guarnieri. Mas o querido Ary tem lugar de destaque no meu coração. Não é pela nossa paixão mútua pelo Flamengo, não. É que a minha mãe foi cantora de rádio destacada exatamente pelo Ary, que a chamava de “jambinho da nossa estação”. Poucas coisas me parecem mais tropicalistas! Pois é exatamente esta a chave do Ary. Ele permitia rasgar o coração sem policiamento, chegando (como o Villa) livremente à alma brasileira. Ele tinha de nos deixar no Carnaval, certo?
Minha mãe cantava muito Noel Rosa e Ary Barroso enquanto trabalhava, e eu me acostumei a amar a nossa cultura. O Brasil sempre esteve de portas abertas para o mundo (pelo menos desde 1808), e logo o Ary foi seqüestrado pelo sistema. Os americanos reconheceram nele uma pedra fundamental da América, e lá foi ele, enchendo o coração de uma saudade doída, como eu tive a chance de experimentar em 1992. Só a passagem de um avião da VARIG por cima da minha cabeça me fez voltar correndo. Vamos começar, portanto, a nossa rápida resenha pelo universo do Ary justamente no momento em que a Aurora Miranda, o Bando da Lua e os personagens de Walt Disney cantavam os Quindins de Iaiá:
www.youtube.com/watch?v=ApwsoEsCm70
Agora temos uma série de canções de amor declarado pelo Brasil, começando pelo Rio de Janeiro. Originalmente havia alguns versos que exaltavam o Rio de Janeiro: ‘Para sentir a beleza e a grandeza do meu país basta uma só condição: é ser brasileiro e ter coração... Rio de Janeiro...” (retificando, estas são duas condições, né?) Nesta gravação de Dalva de Oliveira falta a introdução.
www.youtube.com/watch?v=-0w1nEKVr-E  
O segundo hino do Brasil é a Aquarela Brasileira (ou do Brasil), aqui interpretada pela adorável Elis Regina. A gravação tem um rabinho da chatíssima Fascination, mas logo entra um cruzamento Ary e Villa muito interessante:
www.youtube.com/watch?v=nLIaJRSd2q4  
Muitos sambas de exaltação são adorados sem que se conheça o autor, como Isto Aqui O Que É? Vejam a interpretação contida de João Gilberto:
www.youtube.com/watch?v=0QNNchd9pI0
Ary foi também do teatro musical, da revista, que era a TV da primeira idade de ouro da música popular. Os cassinos estavam abertos e ofereciam emprego abundante e um campo de experimentação para nossos artistas. Ele escreveu para os palcos No Rancho Fundo, que trazia uma barbaridade mais ou menos assim: “No rancho fundo, bem pra lá do fim do mundo, uma negra, a Raimunda, tem uma mágoa profunda”. Nos bastidores, outro gênio brasileiro, o Lamartine Babo, afirmou: “Ary, você compôs a mais bela música do Brasil, mas pôs os piores versos da História”. O Ary respondeu: “Ah, é? Pois se você fizer coisa melhor, eu ponho você na parceria”. Vamos ver o resultado nas vozes de Chitãozinho e Xororó:
www.youtube.com/watch?v=21O41_zmgww
Maysa interpreta uma das composições mais doloridas do Ary, Três Lágrimas. É claro, com a maestria da inesquecível Monjardim.
www.youtube.com/watch?v=Wk9_AwG-TQ8 
Orlando Silva era um dos ídolos da mãe, e meu também. Ouça a versão quase lírica desta fantástica Terra Seca:
www.youtube.com/watch?v=QJvBM7Md9kI
Voltamos aos tempos das revistas, com gostinho bem popular. Veja Gal Costa e Grande Otelo metendo a mão No Tabuleiro da Baiana. É de dar água na boca.
www.youtube.com/watch?v=QJvBM7Md9kI
Mineiro de Ubá, o Ary logo se apaixonou pelo Carnaval, outra fonte para suas composições. O mundo musical se dividia assim: músicas carnavalescas e meio do ano... Em Grau Dez, Ary faz nova parceria com Lamartine Babo, que chamou o Francisco Alves para gravar esta marchinha campeã:
www.youtube.com/watch?v=I0ubhCPQ6oY
Já a chorosa Risque era “do meio do ano”. Vamos ver como a Daniela Mercury se saiu na interpretação; a original trazia a marca de Linda Baptista.
www.youtube.com/watch?v=-8229ql62QA
A Camisa Amarela é um retrato do malandro carioca, um dos grandes sucessos da Aracy de Almeida. Aqui vemos a interpretação do Casuarina.
 
Deixei para o fim meu querido colega de turma Paulinho da Viola e uma das canções mais pungentes do Brasil, Caco Velho, que fala das dores da velhice.

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sexta-feira, 27 de maio de 2011

VILLA-LOBOS

Minha família mudou-se um sem-número de vezes. Meu pai era garçom do Copacabana Palace e estava decidido a comprar sua casa própria. Nós íamos aos pulos: seis meses aqui, um ano ali, oito meses acolá. Assim, passamos por bairros tão diversos como o Meyer, Ipanema, Vila Isabel ou Copacabana; mas volta e meia estávamos em Botafogo. Eu nasci na Policlínica de Botafogo quando meus pais moravam numa vila da Rua Real Grandeza, já prevendo o fenômeno. Por outro lado isto era um desafio para a minha adaptação. Toda hora eu trocava de escola; os livros, professores, colegas, métodos eram outros. Vindo da Escola Argentina, onde tínhamos de cantar o hino dos hermanos todos os dias, vim parar na Escola Joaquim Nabuco; segundo a tradição, onde se entra burro e sai maluco. Ali tive três anos de estabilidade. E também conheci a ultra-super-duper-rigorosa professora de Matemática, dona Joana e seus cem problemas por dia. Seu bordão era “falta de brio!” com que aterrorizava os alunos. Tínhamos aula de canto onde aprendemos a manossolfa, método de canto orfeônico inventado pelo nosso focalizado Heitor Villa-Lobos.
 www.youtube.com/watch?v=tSVCmMA1AoQ&feature=related
Eu tinha uma vozinha bem afinada e fui escalado para a primeira voz, a que puxava o “Oh Tupã, Deus do Brasil”. A harmonia ministrada pela dona Terezinha previa quatro vozes. A segunda voz dizia “Oh Anhangá fugiu, fugiu he-he”, a terceira marcava o baixo “Tum-tararã-tum-tum” e a quarta fazia uma espécie de tarol “Tum-tarará-titá-titá”. Todos nós formávamos no pátio para cantar um monte de hinos, desde Fibra de Herói ao Hino Nacional Brasileiro, o Cisne Branco, Hino à Bandeira, Hino da Independência (que tinha uma versão maluca: “Japonês tem quatro filhos”). Hino da República e a valsinha Criança Feliz. Era um baita repertório!
 www.youtube.com/watch?v=IIK0nea1CT4
Certa vez eu fui procurar o Paulinho da Viola atrás de um disco da Banda de Pau e Corda, e ele me surpreendeu ao me reconhecer. Tínhamos estudado na mesma sala e “sofrido” o rigor da dona Joana. Mas não se lembrava de um evento notável. Nossa turma tinha sido escolhida junto com uma centena do outras para um concerto do fim de ano (1952), no Theatro Municipal. Milhares de alunos entoariam o Canto do Pajé, e seriam regidos pelo próprio Villa-Lobos. Eu me lembro bem dele, perturbado com o zunzum dos mal-treinados escolares. Eu estava bem quietinho, assombrado com a magnificência do templo. Minha escola ficou de pé, no flanco direito, mas eu já estava acostumado com longos períodos de formação. Quer dizer, eu fui “regido” pelo mestre, e o Paulinho também.
Minha mãe tinha cantado no rádio por um breve período, até que os meus tios a tivessem arrancado dos palcos “da perdição”. A trilha sonora da minha casa era um repertório de sambas e sambas-canções, especialmente do favorito de dona Sylvia, Noel Rosa. Eu vivia cercado de música! Portanto, este breve encontro com o genial Villa foi uma das minhas bênçãos da infância.
Com o tempo, fui me surpreendendo a cada obra do mestre que conhecia, através dos LPs e depois os CDs. Acabei adquirindo sua obra completa. Ou quase.
É impossível selecionar os destaques dentro de suas composições; portanto vou apenas citar algumas músicas favoritas. Vamos começar com a Melodia Sentimental com a interpretação da Olivia Byington.
 www.youtube.com/watch?v=jWuHcBVFEBI&feature=related
Esta interpretação do Trenzinho do Caipira, sob a regência do nosso herói moderno João Carlos Martins, traz uma plêiade de ruídos muito intrigante!
 www.youtube.com/watch?v=IOO-s3wwDBY
A TV Tupi abria suas transmissões com este coro indígena, o Pica-pau, dos Choros número 3. Aqui o maestro John Neschling rege a Sinfônica de São Paulo:
 www.youtube.com/watch?v=G9rzMZyCfFc Agora admirem John Williams interpretando o Prelúdio 1:
 www.youtube.com/watch?v=IcNi-5moPe4 E esta jóia de brasilidade que é o Prelúdio 2?
 www.youtube.com/watch?v=6znv2BRzu4U&feature=related David Russell coloca a alma no violão para interpretar os Choros número 1:
 www.youtube.com/watch?v=jAg8VHuXNKU&feature=related
Muitos colegas da Faculdade de Arquitetura abraçaram a música, como o parceiro querido Edmundo Souto e o admirável Turíbio Santos, que até foi diretor do nosso Diretório Acadêmico, e depois geriu o Museu Villa-Lobos (Onde? Em Botafogo). Escolhemos esta gavota graciosa:
 www.youtube.com/watch?v=uc3LWp1ebU4&feature=fvsr
Villa-Lobos era, além de tudo, um vidente. Ele previa que o acervo brasileiro estava destinado ao esquecimento... E registrou tudo! As cantigas de roda, por exemplo:
 www.youtube.com/watch?v=MC7nke1I7gc
A primeira vez que ouvi as Bachianas Brasileiras 5 foi tipo bateu-valeu. E foi logo com a Victoria de Los Angeles... Foi esta obra que nos presenteou com o violoncelista britânico David Chew, que formou família na casa bem em frente do amigo Noilton Nunes, pertinho da Escola Joaquim Nabuco. Ele se apaixonou pela obra do Villa e foi ficando!
 www.youtube.com/watch?v=RPWmBtFJVzQ
E temos o misterioso Uirapuru, com a Orquestra Nacional da França, regência do Roberto Minczuk. Vai em dois arquivos:
 www.youtube.com/watch?v=agfltKTk_3U  

www.youtube.com/watch?v=w9yPI0bYwKM&feature=related  
Esta Invocação em Defesa da Pátria arrepia todos os pelos de qualquer brasileiro que se preze:
 www.youtube.com/watch?v=Dls3j1BbEtc&feature=related
Ai! E esta Valsa da Dor? Parece carregar todo o sofrimento do povo brasileiro. No piano, Paulo Brasil.
 www.youtube.com/watch?v=ooq3vubK9jU&feature=related
O amor por Villa-Lobos começa cedo, lá pelas quatro da manhã. Confira esta rápida interpretação da Bruxa e do Polichinelo, por Aaron Kurz:
 www.youtube.com/watch?v=_tJbaGdoLeA&NR=1
Aqui Nelson Freire carrega nas cores a Dança do Índio Branco, que nós, todos brasileiros, somos de nascença.
 www.youtube.com/watch?v=M95k3bhIYM8
Anatoli Krastev e Yovcho Krushev (nenhuma relação com o rotundo soviético) mostram que Villa viaja com facilidade aos remotos cantos do planeta, como a Turquia, por exemplo. Esta peça foi lindamente animada pelo amado Antonio Moreno na segunda parte de Reflexos, feito em parceria com este que vos fala.

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terça-feira, 24 de maio de 2011

WALT DISNEY

A minha primeira experiência mágica com o cinema está associada ao imaginário de Walt Disney: aos três anos eu via o Pinóquio com sua promessa de que meus sonhos haveriam de se realizar, caso o meu coração estivesse incluído. A força desta imagem suplanta todas as ameaças do fogo eterno e as garantias de salvação da minha alma. Trata-se do aqui, agora; um pouco de ação também se faria necessária, caso a Fada Azul se retardasse um pouco, mas não faz mal. No final das contas a cavalaria celeste trataria de ajustar as coisas. Esta é a minha verdadeira fé, aprendida no templo sagrado do cinema. Eis a lista dos artistas admiráveis dos estúdios nos anos 40 a voz incomparável de Cliff Edwards, de frente para trás e vice-versa: www.youtube.com/watch?v=4hoo2wVqBkM&feature=related
A segunda lição ensinada por Walter Elias Disney foi que a excelência exige todo o esforço, todo o suor do corpo e do espírito. Escrever é re-escrever. Mas há o momento em que o produto tem de ser entregue ao público, como nos despedimos dos filhos quando eles deixam a casa. As opiniões das pessoas podem divergir completamente das suas intenções, pois a arte é polivalente. Ela toma sua forma em cada mente e deixa de ser propriedade exclusiva do artista. Uma das armas de Disney foi a de se antecipar aos desejos humanos. Ele sempre se colocou alguns anos à frente dos seus pares, sem poupar seus colaboradores. Havia um fim a ser alcançado! Para isto ele se rodeou dos melhores em cada setor, seja no desenho, na música, na distribuição, no marketing ou na tecnologia. Ainda que outros diretores tenham se antecipado no lançamento do primeiro longa-metragem (El Apóstol, de Cristiani, Argentina, 1917), do primeiro filme a cores (The Debut of Thomas Cat, de Bray, USA, 1930), eles não tinham por trás a estrutura que manteve à frente os Disney Studios. Assim, diz-se que Branca de Neve (1933) foi o primeiro longa-metragem e Flowers and Trees (1932) o primeiro desenho a cores:


Mas certamente foi Steamboat Willie (1928), animado pelo soberbo Ub Iwerks, que lançou para o mundo não só o Mickey, como o desenho sonoro. O seu lançamento no Teatro Chinês, como complemento ao Cantor de Jazz, jogou todos os concorrentes na pré-história.

Portanto, quando eu acordei para o mundo, já imperava Walt Disney, sentado no trono da magia. Com ele aprendi a amar a música erudita, através de Fantasia...

... ou dos curtas-metragens com este tema:

Nos anos dourados Disney decidiu enfrentar as câmeras da TV. O mundo estava mudando e ele viu que um portal de oportunidades estava se abrindo. Nesta época o parque de Anaheim, Califórnia, estava sendo planejado. Uma nova forma de entretenimento pulava fora das telas para o mundo real, os parques temáticos. Agora, todos os nossos sentidos estão sendo convidados para o desconhecido: 

Como o espaço na Califórnia ficou apertado para expansões, logo surgiu um projeto gigantesco na Flórida, que não para de crescer, o Walt Disney World. Temos aqui os planos para EPCOT: 


Todos nós, mortais, nunca imaginamos que Walt não vivesse para ver a sua maior obra. Mas resta o consolo de que seu espírito está em cada centímetro quadrado das suas obras, mesmo as realizadas após 1966. A mensagem de excelência se materializou em um sistema perfeito (ou como ele mesmo descrevia, “um projeto que nunca estará completo”).

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