quarta-feira, 17 de novembro de 2010

INFÂNCIA I

PETER PAN

Um menino atônito se pergunta:
Que estará acontecendo lá fora?
Terá minha juventude ido embora?
Aqui no peito o calor se esfria
Que a fé e esperança confundia,
Mais toda a fantasia junta.

É que agora ele tem uma companhia;
Dividindo em dois seu coração.
Quem será este alguém, então,
Que chega cabisbaixo e triste
Com um gancho no punho em riste
Entretanto numa ânsia de alegria?

O homem foge do relógio; um dia
Uma fera engoliu e o persegue
Estando ele pelo medo entregue
De todas as dores que lhe traz a idade.
O menino lhe revela a identidade,
Mas o seu nome o homem já sabia.

“Meu nome é Peter, como quem escreve,
E Pan, tão livre vou com minha flauta;
Num salto vou à montanha mais alta
E rodopio num louco redemoinho,
Levanto o pó que ficou pelo caminho,
De vida longa, mas de corpo leve”.

O homem olha Peter com a ternura
Que só possuem os de sua estatura:
“Meu nome é James Barrie, meu rapaz.
Não tema o frio cruel que aqui se faz,
Nem ter por companhia alguém tão triste:
Logo me vou, mas você aqui persiste”.

                                                                                                          Stil

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