terça-feira, 26 de julho de 2011

MINHAS BÊNÇÃOS - REDE GLOBO

Quantas pessoas estão incluídas nesta homenagem? Incontáveis! Eu vou citar algumas; cometendo o pecado da omissão, por ser impossível enumerar todas. É necessário fazer um pequeno histórico do meu momento na época do primeiro contrato, em 1972. Eu tinha participado de um grupo voltado para o cinema e especialmente para a animação, que contava com Jô Oliveira, Rui Oliveira, Antônio Moreno, Sydney Solis... Eram algumas dezenas de jovens apaixonados pelo cinema, cujo ponto de encontro era o Bar Cinerama, na saída do Cine Payssandu. Ali nos reuníamos para assistir as sessões da Cinemateca do MAM e resolver todos os problemas do Brasil entre duas cervejas (no meu caso, um copão de leite batido). Acontece que o Grupo Fotograma era ligado ao Var-Palmares e ao seqüestro do avião para Cuba. Sem me aprofundar em detalhes horrorosos que incluem prisão e tortura de alguns membros, terror psicológico, no meu caso tive dois apartamentos revistados e a perda do emprego no DER como arquiteto recém-formado. Como diria a Maysa, meu mundo caiu. Como eu tinha alguns filmes já produzidos, tentei vendê-los para as TVs para serem retalhados como vinhetas. Em meu socorro, veio o então jovem Stepan Nercessian, amigo de produtores do programa Faça Humor, Não Faça a Guerra. A Rede Globo tinha usado vinhetas de filmes mudos, acreditando estarem em domínio público. Mas o diretor estava vivo! Como o Boni não queria gargalhadas de estúdio de jeito nenhum, abriu-se uma oportunidade para mim! Pensei que eles poderiam comprar os filmes, mas ofereceram um contrato! Saí do inferno para o céu em menos de um mês. Esta é a abertura do Faça Humor Não Faça a Guerra, 1972. O meu nome vem com dois L, como costumava acontecer.




Ali tive a oportunidade de trabalhar com gênios (não estou exagerando) como Augusto Cesar Vannucci, Renato Corte Real, Max Nunes, Haroldo Barbosa, Jô Soares... As reticências dizem tudo. São muitos, muitos mais! Mas o principal foi a paz garantida pelo Dr. Roberto Marinho. Se eu estava sob assédio, ninguém mais me ameaçou! O Boni, naquela época, pelo menos, era acessível pelos corredores da Globo. Ele possuía a qualidade de ouvir. É um grande (substantivado mesmo)! E o Walter Clark também era. Meu Deus; era muita inteligência junta! Que time! Pelas mãos do Augusto participamos de uma revolução de linguagem, os Especiais Infantis, abrindo com Vinícius Para Criança onde se destacou a ternura irresistível da Aretha.


A história se repetiu em 1994, quando a Globo renovou o seu modo de valorizar os intervalos, os Plim-plins. Eu dirigi as primeiras 200 vinhetas.


Durante estes anos, tive a chance de trabalhar com a Xuxa e a Marlene Mattos (aqui exemplificado pelo Bobeou Dançou, que criei inspirado no filme Terror das Mulheres, com uma casa cortada ao meio). Eis duas outras personalidades que sabem ouvir. Ambas ganharam minha admiração como profissionais. Devo incluir aqui o fantástico Chico Anysio, Moacyr Franco e Antônio Calmon, bem como o diretor de produção Marcelo Paranhos!


E não posso deixar de citar o anjo da guarda Roberto Talma, que me chamou para bolar e produzir as vinhetas em homenagem ao Festival da Canção, e para o Bambuluá, onde criei o Dumal e o Dubem, personagens 3-D animados por motion capture.


Então, queridos colegas citados ou não aqui, sintam-se abraçados por este saudoso Stil.

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domingo, 24 de julho de 2011

MINHAS BÊNÇÃOS – TIM BERNERS-LEE

O que será que eu estava fazendo no dia oito de junho de 1955? Difícil de dizer. Nesta época eu morava na Villa Maria, em Botafogo, e estudava no Colégio São Bento. Como estava perto do fim do primeiro semestre, provavelmente eu já sonhava com o paraíso das férias. O pesadelo da era Vargas já tinha passado, e se anunciava uma mudança radical de Brasil com a ascensão do Juscelino. A nossa granada brasileira, Carmen Miranda, ainda teria um mês de vida.

Pois nesta data estava nascendo um inglês que mudaria a vida como a conhecemos, Tim Berners-Lee. E quem é este bebê? Um roqueiro da invasão britânica? Eu afirmo que ele é o responsável por você estar lendo este texto neste momento exato. Dê uma olhada no perfil dele na Wikipédia:


Ou, em inglês:

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segunda-feira, 11 de julho de 2011

"E o Lobo é Mau?" - 3ª Temporada | Salvador - Bahia


Dirigida por Fernanda Paquelet, e texto de Pedro Ernesto Stilpen, a peça narra o fictício julgamento de um dos maiores vilões das histórias infantis: O Lobo. O espetáculo debate  temas como o poder da mídia sobre as crianças, o preconceito criado pelos estereótipos, o amadurecimento precoce que atinge as novas gerações e ainda aponta para a necessidade de apurar bem os fatos antes de qualquer julgamento. "Com esta peça, o estímulo a pensar brota na cabeça de pais e filhos", acredita Paquelet.

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domingo, 3 de julho de 2011

MINHAS BÊNÇÃOS – TOM JOBIM

Considerado como um dos cinco maiores compositores da segunda metade do século XX, tive a oportunidade de cruzar com este gênio graças à intervenção do amigo Roberto Talma. Ele estava dirigindo o especial Antonio Brasileiro (1987) para a Rede Globo e queria uma animação para finalizar o programa. O tempo para produzir era mínimo, como sempre acontece em televisão. Felizmente eu poderia contar com dois fantásticos artistas, o Humberto Avelar e seu primo Erthal, que moravam do outro lado da ponte Rio - Niterói. Fiz o story-board e tive de animar também, num esforço supremo para chegar aos pés da excelência gráfica dos dois. O resultado foi tão satisfatório que o Talma colocou trechos do trabalho para chamar os comerciais. Durante a montagem dos desenhos, tivemos a visita do Tom às ilhas de edição, e ele respondeu à minha pergunta “Gostou?” assim: “Não tenho palavras”. Vindo do meu ídolo, assumo a imodéstia do relato!


Escolher composições saltadas do Tom é como pegar pipoca no balde. Todas são ótimas igualmente. Passarim, por exemplo, parece contar a história da minha vida:


Saudade do Brasil é uma pequena obra-prima erudita da porção Villa-Lobos do Tom. Como George Gershwin, ele transitava facilmente do popular ao clássico. A belíssima canção Canta, Canta Mais poderia figurar entre as Bachianas.



Águas de Março é a composição favorita dos experts, uma jóia do concretismo, um quadro pintado em palavras. Sabemos que a gravação com Elis Regina não foi fácil, pois a pimentinha e o Tom sentiam que estavam mudando os rumos da música popular.


Há quem confira a Chet Baker a autoria do movimento bossa-nova. Mas isto me soa como aqueles programas sensacionalistas de teste de DNA. Interessa é o resultado, o que vem a público. Rapidamente Jobim foi entendido e amado pelos maiores artistas do mundo, como Frank Sinatra. Vamos ouvir a dupla no clássico Garota de Ipanema:


Ou o topo do topo, Judy Garland, interpretando How Insensitive:


Aqui temos a raríssima Morgana King cantando Corcovado com Andy Williams . Desculpe o Português...


Temos o som de Johnny Mathis cantando Dindi. Mas basta:


Esta seleção poderia se estender indefinidamente! Mas escolhemos Maysa para interpretar uma das mais belas canções de amor, Se Todos Fossem Iguais a Você.


E o Rei interpreta uma das favoritas nos casamentos, Eu Sei Que Vou Te Amar:

www.youtube.com/watch?v=gyTfud6Lvss

Tom Jobim teve dezenas de parceiros, como o eterno Vinícius de Morais. Mas o encontro com Chico Buarque foi uma pororoca! Separamos duas composições da dupla, a campeã Sabiá e os nostálgicos Anos Dourados.



A Nação Zumbi lembra a juventude desta alma carioca, com Wave:


Quando a música popular precisa de intimidade, chama por João Gilberto. Aqui temos o gênio sumido cantando Chega de Saudade:


Jobim, Vinícius, Toquinho e Miúcha juntos? Só pode ser para cantar A Felicidade!


Jobim e Danilo Caymmi encerram esta resenha cantando Samba do Avião, em homenagem à cidade que adoramos, apesar dos pesares:

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