sábado, 3 de março de 2012

16

Existe uma fronteira na nossa vida onde a fantasia se parece muito com a realidade, os 16 anos. É como se nós recebêssemos um diploma de mérito por termos deixado a infância para trás, com o convite para ingressarmos no mundo dos adultos. Os rapazes já podem dirigir um carro com uma licença especial, já olham o corpo como um instrumento do prazer e iniciam entre eles os primeiros testes de competição pelas garotas. Elas também estão desabrochando para o amor; são jovens Vênus dizendo uma fieira de bobagens parecendo a mais bela poesia deste mundo. Desejáveis e intocáveis, eis a inspiração que motivou um monte de canções, especialmente nos anos mágicos dos 50 e 60.

There is a frontier in our life where fantasy looks extraordinarily with reality, the golden 16. It is like receiving a diploma of merit for leaving childhood behind, along with an invitation to enter the world of adults. Boys can drive with a special license; they look at their bodies as an instrument of pleasure and start among them the first tests of competition for the chicks. The girls are also blooming for love; young Venuses blabbering a series of nonsense but sounding like the finest poetry in this world. Desirable and untouchable, here’s the inspiration that stroke lots of songs, especially in the magic decades, the 50’s and 60’s.







OK, Paul Anka adiciona um ano a esta data em Puppy Love.

OK, Paul Anka adds one year to 16 in Puppy Love:



Aos 16, eu comecei a me interessar por filmes de arte e comédias clássicas da Europa. No Rio de Janeiro era uma moda que começava a pegar. Muitos dos cineastas que deram seus primeiros passos do fim dos anos 60 em diante iam para os barzinhos próximos aos cinemas para discutir tudo sobre o filme e seu diretor. E lá estava eu com meus amigos Sydney e Olivar, encantados com tanta genialidade à nossa volta. Mas havia uma garota misteriosa (de 16?) que vagava de mesa em mesa, desfilando seus belos olhos azuis e seus louros cabelos até a cintura. Ela parecia estar em toda parte! Aonde nós fossemos, lá estava ela, como a tal Vênus em blue jeans da canção.


As I rose to 16, I began to get interested on art films and classic comedies from Europe. In Rio de Janeiro it was a must. Many film makers who started their experiments from the late 60’s on gathered in the small cafés next to the movies to discuss the work and the director. And there I was with my friends Sydney and Olivar, charmed by such geniality around us. But there was a mysterious girl (16?) who wandered from table to table, parading from table to table her pretty blue eyes and blonde hair to her waistline. She was everywhere! Wherever we went, there she was, like Venus in blue jeans of the song.




Ela era tão constante, que decidimos chama-la de Constância. A doce moça também vagava nos nossos sonhos, tão diáfana, que hoje eu me pergunto se ela era real ou fruto do nosso desejo adolescente. Então, associamos a Constância à voz que aparece em tantas gravações da época. Para nós, a moça do coro era sempre a mesma: Constância.


She was so constant; we decided to call her Constance. The sweet girl also wandered through our dreams, so diaphanous, that now I ask myself she was real or a product of our teen desire. So, we associated also Constance to the back voice that appears so many times in the recordings of that time. To us, the singing girl was always the same: Constance.



http://www.youtube.com/watch?v=dAFMBgkWc0Y (is Constance in that photo?)

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