terça-feira, 30 de agosto de 2011

QUANDO O HOMEM SONHA – A MAN HAS DREAMS – O CRIADOR 1

“How can I believe in God when just last week I got my tongue caught in the roller of an electric typewriter?”

“Como posso eu acreditar em Deus se na semana passada a minha língua ficou presa no rolo de uma máquina de escrever elétrica?”

Woody Allen

A religião nasceu quando o primeiro homem olhou em volta e não entendeu. A colheita foi boa, então Deus está feliz. Aconteceu um terremoto, então Deus ficou enfezado com alguma coisa. Parou de chover, então quem sabe um sacrifício humano faça Deus mudar de idéia? Choveu demais? Caramba. Sacrificamos a pessoa errada. Em outras palavras, o homem adaptou a noção de Deus à sua própria condição, ou criou Deus à própria imagem, garantindo justo o oposto para que ficasse mais fácil de acreditar.

Religion was born when the first man looked around and didn’t understand anything. The harvest was good, so God is happy. A devastating earthquake? God is angry with something. No rain? Maybe a human sacrifice may please God and maybe he will change his mind? Too much rain? Aw gosh. We sacrificed the wrong guy. In other words, men adapted the notion of God to his own conditions, or created God according to his own image, telling the opposite to make it easier to swallow.





Eu ouvi certa vez esta fábula: numa folha de papel estavam dois pontos quietinhos, quando uma esfera começou a atravessar o papel. Ao tocar a folha, a esfera pareceu apenas um ponto, e um dos pontos se alegrou. Oba! Temos companhia! Mas o ponto virou um círculo que começou a crescer, crescer... E a diminuir, diminuir, até virar outro ponto, e sumiu. Os dois pontos se ajoelharam pelo fenômeno que acabaram de presenciar, prometendo espalhar a notícia pela folha toda.

I heard this fable long ago: on a paper sheet two dots were minding their own business, when a sphere started to cross the paper. As it touched the sheet, the sphere looked like a dot, and filled one of the dots with joy. Wow! We got company! But the intruder became a circle, growing and growing... Then shrinking, shrinking, until it became another dot, and then disappeared. The two dots fell on their knees amazed by the phenomenon they had just witnessed, promising to spread the news all over the paper sheet.


Nós já passamos da época ingênua de considerar nosso minúsculo planeta como o centro do Universo. Certamente estamos num paraíso que levou alguns bilhões de anos até que o primeiro homem descesse das árvores e aprendesse a falar. Mas a noção de que Deus usou sua própria imagem como modelo para criar a humanidade permanece enquanto ficamos presos em superstições milenares apesar das evidências científicas. Alguém, um dia, irá dizer: mas Deus é muito maior do que a sua criação; isto é, não adianta tentar reduzi-lo à nossa mediocridade. Um ser humano preso na terceira dimensão não tem condições de entender algo que transcende o tempo e o espaço. Do mesmo modo que aqueles dois pontos no papel não têm elementos para compreender uma esfera.

We have long passed the naive time to consider our tiny planet as the center of the Universe. Certainly we live in a paradise that took billions of years till the first man would come down the trees and learned to talk. But the notion God using his own image as a model to create the human beings still remains while we are stuck in millenary superstitions even against scientific evidence. Someone, someday, will say: but God is bigger than his creation; or, we shouldn’t try to shrink him into our mediocrity. A human being stuck in three dimensions has no means to understand what transcends time and space. Just like those two little dots on the sheet have no elements to understand a sphere.

Continuaremos – To be continued.

1 comentário

Anônimo disse...

Gostei da matéria, alguém tem que dizer estas coisas além da limitação religiosa e da ciência.

Abraço,
Gil

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